Síndrome de Apert
Síndrome de Apert | |
|---|---|
Criança afetada pela síndrome | |
Especialidade | genética médica |
| Classificação e recursos externos | |
CID-10 | Q78.0 Q87.0 |
OMIM | 101200 |
DiseasesDB | 33968 |
MedlinePlus | 001581 |
eMedicine | 941723 |
MeSH | D000168 |
Mãos de uma criança com síndrome de Apert
A Síndrome de Apert é uma síndrome de origem genética considerada rara (acima de 1 a cada 160 000 nascidos vivos). Há variação nos números da sua incidência, variando de 1 para 80 mil até 1 para 300 mil nascidos vivos, dependendo da fonte consultada. Foi descrita pelo médico francês Eugène Apert em 1906, e se caracteriza por um conjunto de anomalias craniofaciais decorrentes da craniossinostose prematura, associadas a sindactilia. Trata-se portanto de uma acrocefalossindactilia.[1][2]
Índice
1 Alterações morfológicas
2 Classificação
3 Causas
4 Comorbidades
5 Tratamento
5.1 Clínicos
5.2 Cirúrgicos
6 Referências
7 Ligações externas
Alterações morfológicas |
Dentre as alterações morfológicas encontradas na síndrome de Apert, a principal é a sindactilia complexa (pés e mãos fundidos total ou parcialmente). Outra característica marcante é a presença de acrocefalia, daí ser a síndrome definida como acrocefalossindactilia.
Classificação |
Grosso modo, em relação a mãos e pés, a classificação mais conhecida é a de Upton [3] que apresenta, com algumas variações, três tipos:
- Tipo 1: dedos indicador, médio e anular unidos, com fusão óssea; dedos polegar e mínimo livres. A palma da mão é plana ("mão em pá")
em que os dedos polegar e mínimo estão separados apenas do dedo médio e anelar, e a palma da mão é plana .
- Tipo 2: polegar fundido com o dedo indicador (variando de sindactilia simples a complexa), e os demais dedos fundidos. A palma da mão é côncava ("mão em luva").
- Tipo 3: fusão complexa e total dos dedos, que podem estar sobrepostos com a palma da mão ("mão em botão de flor").
Causas |
A síndrome é origem genética, e sua causa é uma rara mutação, via de regra em um único gene, o FGFR2 [1], que é responsável pelos fatores de crescimento dos fibroblastos. Os fibroblastos orientam a união dos ossos em um determinado momento de seu desenvolvimento. Não há estudos publicados sobre a causa ou as causas desta mutação, que permanecem, portanto, desconhecidas, porém a síndrome é carreada para as linhagens subsequentes por observação clínica, desde a sua catalogação.
Comorbidades |
Craniossinostose;- Recuo do terço médio da face;
Sindactilia de mãos e pés.
fenda palatal;- alterações cardíacas;
atresia pulmonar;
fístula traqueoesofageal;
estenose pilórica;
rins policísticos;
útero bicorno;
hidrocefalia;- otites de repetição;
apneia do sono;- acne severa;
palato ogival;- problemas oculares;
macroglossia.
Há outras observações que podem ser feitas por leigos e que auxiliam na formação do quadro clínico para diagnose da autoridade médica e de outros profissionais da saúde.
Frequentemente, a síndrome de Apert atinge as formações ósseas de modo generalizado, podendo afetar, além da cabeça, pés e mãos, a formação escapular e umeral (afeta os ombros), com restrição baixa a alta na amplitude de movimentos. É importante buscar centros de referência para as cirurgias necessárias, além do acompanhamento multidisciplinar, durante a infância e a adolescência. O tratamento multidisciplinar é necessário ao longo de toda a fase de crescimento em maior ou menor grau.
Tratamento |
Clínicos |
É fundamental a busca de centros de referência. A síndrome tem um espectro medianamente amplo, podendo variar os graus de comprometimento para cada indivíduo. É também importante o acompanhamento multidisciplinar portadores da síndrome, incluindo fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicoterapia, além do apoio dos familiares, da rede de assistência social local, de grupos de ajuda e associações de portadores da síndrome de Apert.
Cirúrgicos |
As cirurgias das mãos devem ser feitas entre seis e 24 meses de idade, para melhores resultados de cognição e tátil. Mas via de regra sempre haverá comprometimento motor pela fusão das falanges. Também é prioritária a cirurgia craniana, em diferentes fases da infância. Inicialmente, entre seis e oito meses de idade, é feita a descompressão craniana, com o uso de válvula ou distrator, e a liberação da fusão óssea do crânio. Mais tarde, em geral entre os quatro anos e os 12 anos de idade, é feita a avaliação para cirurgia do terço médio da face, visando não apenas melhorias funcionais do trato respiratório como estéticas. Avalia-se caso a caso a necessidade de outras intervenções cirúrgicas.[3][4]
Referências
↑ Síndrome de Apert. InfoEscola.
↑ Apert's syndrome. Whonamedit? - A dictionary of medical eponyms
↑ ab A Guide to the Diagnosis and Treatment of Apert Syndrome, pp 11-12
↑ Síndrome de Apert: a cada dia um novo desafio, uma nova descoberta e superações. Por Ana Cristina Gandini Salto e Manoel Alves. Originalmente publicado na revista Reação, nº 108, janeiro-fevereiro de 2016.
Ligações externas |
- Associação Brasileira da Síndrome de Apert
- https://saude.ig.com.br/minhasaude/2018-03-29/sindrome-de-apert.html