Joaquim Francisco Lopes




Joaquim Francisco Lopes (Piumhi, 1805 — São Jerônimo, 1884) foi um pioneiro e desbravador da região leste do sul de Mato Grosso, juntamente com sua família Lopes, os Barbosa e os Garcia Leal. Foram importantes, sobretudo, seus diários e relatórios, que narram a ocupação do interior do Brasil, tanto no sul de Mato Grosso, quanto no oeste dos estados de São Paulo e Paraná.


Acompanhavam-no em seus desbravamentos seu pai, Antônio Francisco Lopes; seus irmãos, Gabriel Francisco Lopes, José Francisco Lopes (o Guia Lopes da Laguna), Manuel Francisco Lopes, João Francisco Lopes e Remualdo Francisco Lopes; além de seus cunhados Alcino e Antônio Vieira Moço. No ano de 1815, em Franca, seu pai possuía, ainda, quatro africanos e quinze crioulos.[1]


Em 1829, a soldo do Barão de Antonina, com os Garcia Leal e os Barbosa, fez a entrada histórica no sul mato-grossense. Sobre essa entrada, escreveu em seu diário: "1829. Entrada para o sertão da Paranaíba. Fui convidado pelo sr. Sousa, seguimos em fins de julho, entrei com dois animais e quatro cães veadeiros, alcancemos os senhores Garcias, na Paranaíba, fazendo canoas a nossa espera, pois nos convidou para a dita entrada; descobriu o sertão no ano de 28, perdendo os ditos Garcias dois anos de entrada sem poderem descobrir; saltamos a dita Paranaíba em lugar largo, e manso mato, cerradões e pântanos; saindo nos campos de Santa Ana, apartamo-nos em três bandeiras, a do Sousa constava de onze pessoas, e 24 animais, na qual eu me achei. Entremos por cima a ganhar águas do Sucuriú e voltemos das águas do dito nas cabeceiras denominado Pântano, e fundou-se duas fazendas, uma para Inácio Furtado e outra para Domingos Rodrigues, por não termos conhecimento do sertão, apatranhemos e voltemos para nossas casas".[2] No início da década de 1830, acompanhando os Garcia Leal, Joaquim Francisco Lopes fixou-se nas margens inferiores do rio da Quitéria, onde fundou a fazenda Monte Alegre.


Além de reconhecer as terras do leste sul-matogrossense, demarcou posses e abriu uma estrada de Santana de Paranaíba a Miranda, tendo daí retornado a Camapuã. Mais tarde, em 1838, melhorou a estrada do Picadão, de Porto Tabuado a Piracicaba. Reconheceu, também, a Vacaria (centro do atual Mato Grosso do Sul) e parte da Serra de Maracaju, estando até 1857 a mando do Barão de Antonina e tendo para ele registrado várias posses.


Explorou, também, as terras do oeste do Paraná, onde fundou a Colônia Indígena de São Jerônimo, a qual dirigiu de 1859 a 1868, ano de sua morte.


Deixou doze filhos, de três casamentos, e encontra-se enterrado no cemitério público de São Jerônimo.



Referências e notas




  1. Na Estrada de Anhangüera - uma visão regional da história paulista. Organizadores: Carlos de Almeida Prado Barcellar e Lucila Reis Brioschi. Ceru, 1999


  2. A bandeira de Joaquim Francisco Lopes - 1829. In Boletim do Departamento do Arquivo do Estado de São Paulo, vol. III. São Paulo, Tip. Do Globo, 1943.








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