Aristolochiaceae
Aristolochiaceae | |||||||||||
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Asarum europaeum | |||||||||||
Classificação científica | |||||||||||
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Aristolochiaceae consiste em uma família de plantas angiospérmicas a qual abrange sete gêneros conhecidos e cerca de 600 espécies. Podem ser herbáceas, lenhosas ou então arbustivas, de fruto seco, sementes achatadas, e apresentam flores solitárias de estrutura tubular semelhante a um cachimbo.[1]
Os indivíduos dessa família são distribuídos por regiões temperadas tropicais e subtropicais. Algumas espécies possuem ácidos aristolóquicos, óleo etéreo, óleo resinoso e substâncias aromáticas voláteis, motivo pelo qual essas plantas são utilizadas para fins medicinais por populações tradicionais.[2] Os princípios ativos são empregados mais comumente como antissépticos, diuréticos e estimulantes, e promovem melhor funcionamento dos órgãos de secreção interna.
Aristolochiaceae ocorre predominantemente em áreas abertas com vegetação rasteira, como savana ou floresta decídua temperada.
Índice
1 Características
2 Morfologia
3 Distribuição e diversidade taxonômica
3.1 Ocorrência no Brasil[4]
4 Filogenia
5 Gêneros
6 Lista de espécies brasileiras
7 Referências
Características |
Os exemplares desta Família são encontrados na forma de ervas, lianas ou, eventualmente, arbustos. Podem exibir estruturas subterrâneas de reserva.[1]
Os agentes polinizadores das flores da Família Aristolochiceae são, usualmente, moscas. As flores desenvolveram, durante o curso evolutivo, mecanismos especializados para a captura do inseto e fixação do pólen neste culminando em otimização da polinização. Nesta família, as flores liberam fragrâncias para a atração dos polinizadores (podendo estas serem adocicadas como a de uma fruta ou fétidas como uma carcaça em putrefação), além de produzir néctar pelas glândulas no tubo do cálice, funcionando como recompensa açucarada para o díptero. Uma vez atraído até a flor, o cálice floral, altamente modificado, atua como uma armadilha, prendendo o inseto. Durante a primeira fase da vida da flor, o pólen é depositado no estigma o qual circunscreve o gineceu, projetando-se além das anteras. Depois da polinização, o estigma murcha e se torna ereto, expondo as anteras deiscentes. As moscas ficam cobertas por pólen e saem da armadilha, podendo, portanto, pousar em outra flor e fecundá-la.
As sementes desta família são aplainadas e muito leves. Estas características permitem que sejam dispersas pelo vento, tal qual um paraquedas. Entretanto, algumas oscilações morfológicas observadas em outras espécies adaptaram-nas para a dispersão pela água ou por animais (ao grudar-se no pelo de vertebrados mediante uma secreção pegajosa ou por formigas).
Morfologia |
As folhas são alternas, pecioladas, simples, inteiras ou (raramente) lobadas e com venação palmada. Nesta Família as estípulas geralmente são ausentes. Já as flores são bissexuais além de exibirem simetria radial ou bilateral, dependendo da espécie. As pétalas geralmente são ausentes ou vestigiais, entretanto, são encontradas (bem desenvolvidas, amarelas e imbricadas) no Gênero Saruma. As flores possuem 3 sépalas de simetria bilateral. Quanto a aparência, estas podem apresentar-se de forma tubular, em S ou em formato de cachimbo. As sépalas são delimitadas por limbos (1 a 3 limbos) os quais são vistosos, de cor avermelhada (verdes em Saruma), valvares e decíduas. As flores exibem de 6 a 12 estames ligados ao estilete. Com exceção ao Gênero Saruma, cujo grão de pólen é classificado como monossulcado, o pólen produzido nos estames não apresenta aberturas. As flores possuem de 4 a 6 carpelos conatos e retorcidos. Os frutos são frequentemente secos e deiscentes, com abertura partindo desde a base. As sementes, por sua vez, são achatadas, com embrião pequeno, basal ou indiferenciado. Estas podem ser aladas ou com associações de tecidos carnosos.[1]
Distribuição e diversidade taxonômica |
Aristolochiaceae tem ocorrência catalogada em inúmeras regiões de todo o mundo. Divide-se este grupo, habitualmente, em duas subfamílias distintas: Asaroideae e Aristolochioideae. A primeira conta com 85 espécies distribuídas, em sua maioria, ao Norte da Ásia, em regiões de clima, predominantemente, temperado. Já a segunda subfamília, Aristolochioideae, é amplamente difundida em regiões tropicais e subtropicais do mundo.[3]
Quando referente ao território nacional, tal Família é encontrada em todo o Brasil, com exceção dos Estados do Espírito Santo, cuja ocorrência é incerta, e Roraima, ausente. No Brasil, são encontradas 92 espécies, todas pertencentes ao Gênero Aristolochia e registradas nos domínios fitogeográficos: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampa.[4]
Ocorrência no Brasil[4] |
- São Paulo: 16 espécies
- Rio de Janeiro (capital): 8 espécies
- Santa Catarina: 14 espécies
- Parque Estadual das fontes de Ipiranga (SP): 2 espécies
- Tocantins: 8 espécies
- Goiás: 8 espécies
- Distrito Federal: 3 espécies
- Grão-Mogol (MG): 1 espécie
- Serra do cipó (MG): 3 espécies
- Bahia: 1 espécie
Filogenia |
Há divergências na classificação do grupo taxonômico quanto a mono, para ou polifilia. Aristolochiacea é considerada como pertencente ao clado Piperales, no entanto, apesar de este ser monofilético, a relação dos grupos dentro da ordem gera controvérsias devido à posição Lactoris fernandeziana.[3] A Família Aristolochiaceae é comumente considerada parafilética devido a estudos de sequenciamento de DNA que indicam o Gênero Lactoris como pertencente a ela. Entretanto, pode também ser classificada como monofilética, quando tomado em conta características morfológicas tais quais: ovário ínfero, sépalas conatas, morfologia do tegumento da semente entre outros.
Na primeira possível representação filogenética, a Família Aristolochiaceae abrangeria as subfamílias Asaroideae e Aristolochiaoideae, tendo o Gênero Lactoris divergido da linhagem que deu origem a segunda subfamília. Todo o clado Aristolochiaceae seria, então, grupo irmão do emparelhamento [Piperaceae + Saururaceae]. A Família Piperaceae incluiria os Gêneros Zippelia, Manekia, Piper, Peperomiae Verhuelia. [1]
Gêneros |
Os gêneros reconhecidos são:[5]
- Aristolochia
- Asarum
- Lactoris
- Saruma
- Thottea
Lista de espécies brasileiras |
As espécies catalogadas em território nacional tratam-se de:[4]
Aristolochia acutifolia Duch.
Aristolochia albertiana Ahumada
Aristolochia angustifolia Cham.
Aristolochia arcuata Mast.
Aristolochia assisii J. Freitas, Lírio & F. González
Aristolochia bahiensis F.González
Aristolochia birostris Duch.
Aristolochia brevifolia (Cham.) Hauman
Aristolochia brunneomaculata I.Abreu & Giul.
Aristolochia brunneomaculata I.Abreu & Giul.
Aristolochia burchellii Mast.- Aristolochia burelae Herzog
Aristolochia cauliflora Ule
Aristolochia ceresensis Kuntze
Aristolochia chamissonis (Klotzsch) Duch.
Aristolochia cornuta Mast.
Aristolochia curviflora Malme
Aristolochia cymbifera Mart. & Zucc.
Aristolochia cynanchifolia Mart. & Zucc.
Aristolochia dalyi F.González
Aristolochia deltoidea Kunth
Aristolochia didyma S.Moore
Aristolochia disticha Mast.
Aristolochia elegans Mast.
Aristolochia eriantha Mart. & Zucc.
Aristolochia esperanzae Kuntze
Aristolochia filipendulina Duch.
Aristolochia fimbriata Cham.
Aristolochia floribunda Lem.
Aristolochia fragrantissima Ruiz
Aristolochia gardneri Duch.
Aristolochia gehrtii Hoehne
Aristolochia gibertii Hook.
Aristolochia gigantea Mart. & Zucc.
Aristolochia ginzbergeri Ahumada
Aristolochia gracilipedunculata F.González
Aristolochia guentheri O.C.Schmidt
Aristolochia hilariana Duch.
Aristolochia hispida Pohl ex Duch.
Aristolochia hoehneana O.C.Schmidt
Aristolochia holostylis F.González
Aristolochia hypoglauca Kuhlm.
Aristolochia insolita J.Freitas & M.Peixoto
Aristolochia ipemi Parodi
Aristolochia iquitensis O.C.Schmidt
Aristolochia jauruensis Hoehne
Aristolochia juruana Ule
Aristolochia klugii O.C.Schmidt
Aristolochia labiata Willd.
Aristolochia lagesiana Ule
Aristolochia lanceolatolorata S.Moore
Aristolochia limai Hoehne
Aristolochia longispathulata F.González
Aristolochia lutescens Duch.
Aristolochia macrota Duch.
Aristolochia manaosensis Ahumada
Aristolochia marianensis Ahumada
Aristolochia melastoma Silva Manso ex Duch.
Aristolochia mishuyacensis O.C.Schmidt
Aristolochia mossii S.Moore
Aristolochia nevesarmondiana Hoehne
Aristolochia odora Steud.
Aristolochia odoratissima L.
Aristolochia papillaris Mast.
Aristolochia paulistana Hoehne
Aristolochia pilosa Kunth
Aristolochia pohliana Duch.
Aristolochia pubescens Willd.
Aristolochia raja Mart. & Zucc.
Aristolochia ridicula N.E.Brown
Aristolochia robertii Ahumada
Aristolochia rojasiana (Chodat & Hassl.) Hosseus
Aristolochia rugosa Lam.
Aristolochia ruiziana (Klotzsch) Duch.
Aristolochia rumicifolia Mart. & Zucc.
Aristolochia sepicola Mast.
Aristolochia sessilifolia (Klotzsch) Duch.
Aristolochia setosa Duch.
Aristolochia silvatica Barb.Rodr.
Aristolochia smilacina (Klotzsch) Duch.
Aristolochia sprucei Mast.
Aristolochia stomachoides Hoehne
Aristolochia subglobosa J. Freitas, Lírio & F. González
Aristolochia tamnifolia (Klotzsch) Duch.
Aristolochia theriaca Mart. ex Duch.
Aristolochia triangularis Cham. & Schltdl.
Aristolochia trilobata L.
Aristolochia trulliformis Mast.
Aristolochia urbaniana Taub.
Aristolochia urupaensis Hoehne
Aristolochia warmingii Mast.
Aristolochia weddellii Duch.
Aristolochia wendeliana Hoehne
Aristolochia zebrina J. Freitas & F. González
Referências
↑ abcd Judd, Walter (2009). Sistemática Vegetal: Um Enfoque Filogenético. Porto Alegre: Artmed. p. 612. ISBN 978-85-363-1755-7
↑ Nascimento, Dilma Silva do; Cervi, Armando Carlos; Guimarães, Olavo Araújo (2010-6). «A família Aristolochiaceae Juss. no estado do Paraná, Brasil». Acta Botanica Brasilica. 24 (2): 414–422. ISSN 0102-3306. doi:10.1590/S0102-33062010000200012 Verifique data em:|data=
(ajuda)
↑ ab Neinhuis, C. (2004). Phylogeny of Aristolochiaceae based on parsimony, likelihood, and Bayesian analyses of trnL-trnF sequences. (PDF) (Tese). Consultado em 26 de novembro de 2018
↑ abcd Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (ed.). «Flora do Brasil 2020: Algas, Fungos e Plantas». Consultado em 26 de novembro de 2018
↑ «Aristolochiaceae» (em inglês). The Plant List. 2010. Consultado em 10 de setembro de 2014